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SOBREVIVENTES: DEPOIS DE QUASE UMA SEMANA DE VIAGEM, MÃE E FILHA QUE ESCAPARAM DOS TERREMOTOS SÃO ACOLHIDAS EM TOLEDO

Elas chegaram cansadas, mas inteiras. Depois de quase uma semana de viagem, a venezuelana que fugiu dos terremotos com a filha de apenas dois anos e nove meses no colo desceu em Toledo carregando pouco mais do que a própria coragem.

A fuga começou em meio aos escombros. Com a casa danificada e sem água, energia ou gás para cozinhar, mãe e filha passaram a dividir espaço com outros parentes em condições cada vez mais precárias, enquanto a tragédia deixava suas marcas também dentro da família. Diante da destruição e da insegurança, a decisão foi partir — mesmo sem saber exatamente o que encontrariam pela frente.

Para entender a dimensão do que essa família deixou para trás, é preciso lembrar o que aconteceu na Venezuela. Em 24 de junho, dois terremotos em sequência — de magnitude 7,2 e 7,5 — atingiram o centro-norte do país, nos estados de Yaracuy e Carabobo, e foram sentidos até em Caracas, na Colômbia e no norte do Brasil. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), até 4 de julho o número oficial de mortos havia chegado a 2.645, com mais de 12,6 mil feridos, e as perdas econômicas já superam os 10 bilhões de dólares. A Unicef estima que 1,8 milhão de venezuelanos, entre eles 680 mil crianças, precisam hoje de assistência humanitária: hospitais funcionando acima da capacidade, escolas destruídas e milhares de famílias sem acesso confiável à água potável. É desse cenário que vêm as famílias que agora chegam a Toledo.

Foram quinze dias em um abrigo na região de Pacaraima até conseguirem seguir viagem rumo ao Paraná. Uma semana de estradas, esperas e incertezas, sustentada por uma única certeza: do outro lado, alguém esperava por elas.

Esse alguém era Wilson Wilfredon Pinto Pérez, marido e pai, que há um ano e meio via a distância como a maior das provações. Ele havia cruzado quatro países sozinho — Equador, Peru, Bolívia e Brasil — em busca de uma vida que pudesse, um dia, receber a família de volta.

Na noite da última quarta-feira, 8 de julho, o ônibus finalmente chegou a Toledo. Wilson esperava na rodoviária, e mesmo à distância, a equipe da Embaixada Solidária esteve ao seu lado, dando suporte em todos os momentos daquela espera. Foi ali, debaixo das luzes da rodoviária, que toda a travessia passou a fazer sentido.

Nesta quinta-feira, a família esteve na sede da Embaixada Solidária, onde foi acolhida e atendida por toda a equipe. Mãe, pai e filha foram cadastrados e já receberam os primeiros donativos, além de encaminhamentos para empresas da região em busca de emprego. A manhã foi marcada pela emoção: a mesma equipe que agora recebia a família de braços abertos havia acompanhado, dia após dia, a aflição de Wilson durante a missão de resgatar a esposa e a filha em meio aos escombros do país.

A chegada trouxe também um novo desafio: a casa onde Wilson mora não tinha espaço para acomodar todos. Foi a Embaixada Solidária quem, mais uma vez, apontou um caminho — desta vez no rosto de outra venezuelana, Lissete, que também um dia chegou ao Brasil como refugiada e foi acolhida pela instituição. Agora, é ela quem abre as portas da própria casa para receber mãe e filha, enquanto a família busca um lugar para alugar e recomeçar, enfim, com um endereço só seu.

Sobreviventes de um terremoto que não escolheu rosto, nome ou nacionalidade, elas chegam a Toledo para provar, mais uma vez, que por trás de qualquer manchete existe sempre uma família tentando ficar de pé.

O que ainda falta para recomeçar

A família já está trabalhando, mas ainda não encontrou uma casa para alugar. Falta também móveis, eletrodomésticos e, principalmente, muito acolhimento para que consigam superar o grande trauma que viveram. É nesse momento que a comunidade pode fazer a diferença, ajudando a transformar o que hoje é urgência em um novo lar — e dando a essa família a chance de, enfim, deixar o terremoto para trás.

Quem quiser ajudar pode procurar a Embaixada Solidária na Rua São João, 7871, bairro Gisela, ao lado da Praça da Criança, em Toledo, ou pelo telefone (45) 99935-3486.

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